Veículo levava 49 trabalhadores de Minas Gerais para Campo Formoso, sem autorização da ANTT; bagagens e eletrodomésticos ocupavam o corredor e os assentos.Foto: Reprodução / PRF
Quarenta e nove trabalhadores pagaram R$ 450 cada um para viajar cerca de 1,6 mil quilômetros entre Matutina, em Minas Gerais e Campo Formoso, na Bahia, onde trabalhariam na colheita de alho.
Na viagem, eles foram encontrados em um ônibus superlotado, com bagagens e eletrodomésticos espalhados pelos assentos e pelo corredor. A fiscalização foi feita pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), na BR-242, em Seabra, na Chapada Diamantina.
A abordagem aconteceu na quinta-feira (8), por volta das 10h, no km 409 da rodovia, depois que o motorista desobedeceu à sinalização de parada obrigatória em um trecho em obras e passou por cima de cones. Ao ser questionado, ele alegou que a manobra ocorreu por causa de problemas nos freios.Durante a fiscalização, os policiais encontraram sete passageiros além da capacidade permitida, além de colchões, caixas, malas, bagagens e eletrodomésticos ocupando o espaço destinado aos passageiros.
Algumas pessoas estavam sentadas sobre as próprias bagagens e encomendas, o que impedia o uso dos cintos de segurança. O banheiro do ônibus também estava cheio de bagagens e não podia ser utilizado.
O ônibus levava passageiros mediante pagamento, mas não tinha autorização da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para fazer esse tipo de transporte.
Trabalhadores atuavam na colheita de alho em Minas Gerais
Em entrevistas aos policiais, alguns passageiros contaram que trabalhavam desde junho de 2026 na colheita de alho em fazendas de uma empresa de Matutina, em Minas Gerais.
Segundo eles, o pagamento era feito por produção, e a contratação do ônibus foi intermediada por um organizador de trabalhadores conhecido como “turmeiro”.
Cada passageiro pagou R$ 450 pelo transporte até Campo Formoso, no norte da Bahia, onde o grupo seguiria para trabalhar na colheita de alho.
Motorista e veículo foram autuados
O motorista recebeu multas por seis infrações de trânsito. Entre elas estão exame toxicológico vencido, disco-diagrama do cronotacógrafo vencido, falta do intervalo de descanso obrigatório para a condução, excesso de lotação, transporte de carga no compartimento de passageiros e transporte remunerado de pessoas sem autorização.
Por Kaylan Anibal /O caso foi encaminhado ao Ministério do Trabalho.

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