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Mais de 140 toneladas de resíduos são retiradas por catadores durante o Carnaval em Salvador e transformam reciclagem em renda

 

Ação reúne Setre, Sema, Inema e cooperativas para gerar renda, reduzir impactos ambientais e fortalecer a economia circular durante a folia.
Foto: Wuiga Rubini / GOVBA

Mais de 140 toneladas de resíduos recicláveis foram retiradas das ruas de Salvador durante o Carnaval, por meio do projeto Meu Corre Decente. A iniciativa é realizada pelo Governo do Estado, com atuação da Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte, da Secretaria do Meio Ambiente da Bahia e do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, além do apoio de outras secretarias e de cooperativas de catadores. O balanço foi divulgado enquanto a festa se despede oficialmente das ruas da capital baiana.

O projeto funciona nas Centrais de Apoio instaladas em diferentes pontos da cidade, onde os materiais são recebidos, triados, pesados e pagos imediatamente aos trabalhadores cadastrados. A proposta é reduzir o volume de resíduos destinados a aterros sanitários, estimular a reciclagem e ampliar a geração de renda para catadores durante a maior festa popular do estado.

Entre os materiais coletados, o alumínio segue como o mais valorizado financeiramente, em razão do alto índice de reaproveitamento. Já o plástico e o PET garantem maior volume de coleta, o que amplia o retorno econômico para quem atua na reciclagem.

Para o fiscal da Secretaria do Meio Ambiente da Bahia, Guido Brasileiro, o projeto vai além da limpeza urbana e se consolida como política pública.

“O Meu Corre Decente atua em duas frentes fundamentais: na mitigação ambiental, ao evitar que toneladas de resíduos sigam para aterros, reduzindo emissões de gases de efeito estufa, e na adaptação social, ao dar visibilidade, apoio e dignidade a trabalhadores que historicamente ficaram à margem”, afirma.

A fiscal do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Eliesandra dos Santos, que atua no ponto de apoio de Cajazeiras desde o início da operação, informa que a iniciativa também tem atraído novos trabalhadores.

“Até ontem, no final do meu expediente, já tinham 57 pessoas cadastradas aqui. São catadores da própria região, muitos que ainda não tinham vínculo com cooperativa e passaram a conhecer esse trabalho agora”, relata.

Segundo Eliesandra, o maior fluxo ocorre à noite, quando a movimentação do Carnaval aumenta. A instalação da Central em Cajazeiras pela primeira vez exigiu atuação ativa das equipes para ampliar a visibilidade do espaço e orientar os trabalhadores sobre o funcionamento do projeto.

A fiscalização inclui a conferência da pesagem dos materiais, o pagamento imediato e a entrega de Equipamentos de Proteção Individual.

“Observamos se a pesagem está correta, se os pagamentos estão sendo feitos na hora, se os EPIs foram entregues e se estão sendo utilizados. Também sistematizamos os dados de coleta por tipo de material, o que permite avaliar o impacto real do projeto”, detalha a assessora jurídica da Procuradoria da Sema, Daiana de Jesus.

Com a coleta superior a 140 toneladas, o projeto consolida a reciclagem como estratégia de geração de renda e instrumento de política pública ambiental durante o Carnaval de Salvador

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