Estado registrou menos de 15 mil focos em setembro, contra quase 20 mil no mesmo mês de 2025; previsão de calor acima de 42°C e baixa umidade mantém alerta para os próximos dias.Foto: Mateus Pereira / GOVBA
O Corpo de Bombeiros Militar da Bahia (CBMBA) completou, na quarta-feira (7), 100 dias de operação contra incêndios florestais, com redução de 29% nos focos de calor em setembro, na comparação com o mesmo mês do ano passado. A operação conta com 189 bombeiros e bombeiras e 44 viaturas dedicadas exclusivamente à prevenção e ao combate ao fogo. Apesar da queda nos registros, a previsão de temperaturas elevadas, baixa umidade e ventos fortes mantém o estado em alerta para os próximos dias.
Os dados foram apresentados pelo comandante-geral do CBMBA, coronel Aloisio Fernandes, durante uma reunião do Comitê de Enfrentamento aos Efeitos do El Niño, que acompanha e organiza as ações do Governo do Estado para enfrentar os impactos do fenômeno.
A preocupação agora está voltada principalmente para os próximos dez dias. Segundo o coordenador de Estudos do Clima e Projetos Especiais do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Bahia (Inema), Aldírio Almeida, as temperaturas máximas podem passar dos 42°C em áreas do Vale do São Francisco e do Oeste baiano. A umidade relativa do ar também pode ficar abaixo de 15%, enquanto a previsão aponta ausência de chuvas em praticamente todo o estado.“É uma condição muito propícia para a propagação de incêndios florestais. Na presença de fogo na vegetação, essas queimadas acabam se espalhando facilmente”, alertou Aldírio.
Outro fator que preocupa os órgãos responsáveis é a chamada “regra dos 30”, quando três condições se juntam: umidade abaixo de 30%, ventos acima de 30 km/h e temperaturas superiores a 30°C. Segundo o coronel Aloisio Fernandes, várias regiões da Bahia estão entrando nesse cenário.
“Nós temos aí os ingredientes nas condições ideais para queima e estamos com quase toda a região nesse tripé”, explicou.
Diante da previsão, o monitoramento e as ações de combate estão sendo reforçados em áreas consideradas prioritárias, como as regiões da Bacia do Paramirim, Rio Corrente, Rio Grande, Sertão do São Francisco, Sertão Produtivo e Velho Chico.
Para o superintendente de Proteção e Defesa Civil da Bahia, Osny Bomfim Santos, os números apresentados durante a reunião mostram que as medidas adotadas estão trazendo resultados.
“Os órgãos do sistema estão atuando intensamente para mitigar os efeitos do El Niño. O monitoramento continuado das ações tem mostrado resultados efetivos”, afirmou.
Bahia registra queda nos focos de calor e amplia ações de combate
Em setembro de 2025, a Bahia registrou quase 20 mil focos de calor. No mesmo mês deste ano, o número ficou abaixo de 15 mil, uma redução de 29%.
A queda foi registrada mesmo com o aumento das ocorrências atendidas pelos bombeiros. Nos primeiros 100 dias da operação, o número de intervenções passou de 547, no mesmo período do ano passado, para cerca de 900. Segundo os dados apresentados, o aumento da atuação permitiu atender a mais ocorrências, evitando o acúmulo de demandas e garantindo o combate aos incêndios registrados.
A Bahia também está com o número de focos de calor abaixo da média nacional, cenário diferente do observado no ano passado.
Para o coronel Aloisio Fernandes, o resultado chama a atenção diante das condições climáticas enfrentadas neste ano. Durante os primeiros 100 dias de operação, os bombeiros percorreram mais de 460 mil quilômetros, utilizaram cerca de 53 mil litros de combustível e realizaram 1.452 atividades preventivas.
As ações de combate já chegaram a 107 municípios baianos, o equivalente a mais de 26% das cidades do estado.
“É realmente resultado de um esforço. Eu falo aqui em nome de todos os bombeiros: estamos com dedicação exclusiva aos incêndios florestais, hoje, com 189 bombeiros e bombeiras”, ressaltou o comandante-geral.
Saúde prepara municípios para enfrentar os efeitos do calor e da seca
Além do combate aos incêndios, o Governo da Bahia também está reforçando as medidas de preparação na área da Saúde. O estado acompanha os municípios prioritários com base em informações sobre decretos de emergência, focos de calor, baixa umidade e temperaturas elevadas.
Dos nove Núcleos Regionais de Saúde (NRS), cinco já contam com planos regionais de preparação e resposta. Os documentos avaliam a capacidade de atendimento da rede de saúde e as principais vulnerabilidades de cada região.
Segundo o coordenador da Vigilância de Populações Expostas aos Riscos Associados aos Desastres (Vigidesastres) da Secretaria da Saúde da Bahia (Sesab), Edson Ribeiro Júnior, o estado ainda está na fase de mobilização, embora alguns municípios enfrentem situações de emergência.
“A gente ainda tem, pontualmente, municípios em emergência, mas, no geral, estamos na fase de mobilização. Ainda não chegamos à fase de alerta ou de emergência”, explicou.
Entre as medidas adotadas está uma portaria publicada nesta terça-feira (6), que amplia a estratégia estadual de fornecimento de medicamentos para situações de emergência em saúde pública. O estado já contava com um kit para desastres, adaptado às necessidades dos municípios de menor porte.
A nova medida inclui um kit específico para situações de seca, com medicamentos e insumos voltados a problemas como dermatites, ressecamento ocular, intoxicação por fumaça e necessidade de reidratação oral e venosa.
“Nessa nova portaria, a gente inseriu um kit de medicamentos específico para seca. Pensamos nas dermatites, ressecamento ocular, intoxicação por fumaça, reidratação oral e venosa, olhando para os agravos que monitoramos e para a forma como podemos apoiar os municípios”, explicou Edson.
A portaria também prevê um kit específico para surtos de arboviroses, com foco principalmente na reidratação e no alívio da dor. A estratégia inclui estoques de reserva nos nove Núcleos Regionais de Saúde, além de uma reserva mantida pela estrutura central do estado para atender às necessidades dos municípios.
A Sesab também trabalha diretamente com as cidades prioritárias na elaboração de planos de contingência e acompanha diariamente os alertas meteorológicos e seus possíveis impactos na saúde da população.
A atenção está voltada especialmente para os grupos mais vulneráveis, como moradores de comunidades rurais, quilombolas e indígenas, crianças menores de cinco anos, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas. Também estão entre os grupos acompanhados os profissionais que atuam diretamente no enfrentamento das ocorrências, como brigadistas, bombeiros, agentes de saúde e equipes da Defesa Civil.
Por Kaylan Anibal /
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