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Correios buscam até R$ 8 bilhões para evitar nova crise em ano eleitoral

 

Estatal tenta levantar novos recursos até junho para manter plano de reestruturação e afastar risco fiscal
Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil

Os Correios iniciaram articulações para levantar até junho os R$ 8 bilhões restantes para concluir seu plano de reestruturação. A busca por novo empréstimo ou aporte da União foi acelerada para evitar que a estatal enfrente nova crise financeira em pleno ano eleitoral.

A empresa já contratou, no fim de 2025, uma operação de crédito de R$ 12 bilhões junto a cinco bancos, sendo dois públicos. O montante garante fôlego apenas até meados de 2026. Despesas associadas a dívidas, ajustes no plano de saúde e incentivos ao programa de demissão voluntária (PDV) fazem parte do pacote que consumirá os recursos.

O plano completo prevê R$ 20 bilhões para reequilibrar as contas da estatal. Desse valor, R$ 10 bilhões já foram liberados no fim do ano passado, e outros R$ 2 bilhões serão repassados até o final de janeiro. A presidência da empresa já havia afirmado que faltavam R$ 8 bilhões para honrar compromissos e manter a reestruturação.

Paralelamente, os Correios abriram conversas com bancos para testar o interesse em uma nova operação de crédito. Ao mesmo tempo, há expectativa dentro do governo para que a União antecipe parte dos recursos previstos em cláusula contratual firmada na primeira operação.

Pelo contrato com Banco do Brasil, Caixa, Bradesco, Itaú e Santander, a União precisa injetar R$ 6 bilhões na estatal até 2027, independentemente de nova captação de mercado. Os bancos defenderam que o compromisso fosse registrado em contrato, reduzindo o risco de inadimplência.

A avaliação de técnicos é de que o aporte ainda em 2026 será inevitável. O endividamento adicional elevaria o custo financeiro da estatal, que começará a pagar as parcelas do empréstimo apenas entre 2028 e 2029, com desembolsos superiores a R$ 1 bilhão por ano. Interlocutores do setor afirmam que uma nova operação, diante dessas condições, poderia pressionar ainda mais o caixa.

Além de reforço financeiro via Tesouro, alternativas estão em discussão dentro do governo, como compensações pela prestação do serviço postal universal. Países adotam modelos em que uma taxa financia a universalização, e a proposta pode elevar a receita ordinária dos Correios.

Em nota, a estatal afirmou que a primeira etapa do plano de reestruturação está em andamento e que novas operações financeiras poderão ser avaliadas se forem consideradas estratégicas.

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