Levantamento do Instituto Patrícia Galvão aponta estupro para 1 em cada 10 e índices ainda maiores entre mulheres LGBTQIA+ e negras

Quase 90% das mulheres que saem à noite para lazer já sofreram violência durante o trajeto — seja a pé, de ônibus ou em carro, de acordo com o relatório “Mulheres e mobilidade noturna: percepções sobre (in)segurança nos momentos de lazer”, do Instituto Patrícia Galvão em parceria com o Instituto Locomotiva e apoio da Uber.
Entre as entrevistadas, 10% afirmaram ter sido vítimas de estupro em deslocamentos para lazer — índice que dobra entre mulheres LGBTQIA+. A maioria dos casos destacou assédio, olhares insistentes e importunação sexual.
Dados por vulnerabilidade e transporte
72% das mulheres dizem já ter recebido olhares insistentes ou cantadas; entre jovens de 18 a 34 anos, sobe para 78%. A porcentagem de mulheres negras relatando importunação, agressão ou estupro foi consistentemente maior que a de mulheres não negras. Quanto ao meio de transporte: 73% das vítimas estavam a pé, **53% de ônibus. O percentual diminui em carro particular (18%), aplicativo (18%), metrô (16%) e táxi (9%).
Impactos na rotina e estratégias de proteção
63% das mulheres já desistiram de sair à noite por sensação de insegurança, entre negras essa taxa sobe para 66%. Como estratégia, 91% avisam alguém sobre para onde vão, 89% evitam locais desertos e buscam companhia no deslocamento.
“Esses dados revelam que o medo das mulheres ao se moverem à noite não é apenas percepção, mas algo embasado em estatísticas reais”, afirma a diretora Maíra Saruê Machado, do Instituto Locomotiva.Por Alinne Souza /
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