RPPN localizada em Igrapiúna completa 10 anos de reconhecimento pelo Inema e reúne espécies de fauna e flora, nascentes e projetos de pesquisaMata Atlântica - Crédito: Instituto Água Boa
Em Igrapiúna, no Baixo Sul da Bahia, a Reserva Espinita mantém 118 hectares de Mata Atlântica preservada e se tornou um espaço dedicado à conservação ambiental, à pesquisa e à educação. Neste ano, a área celebra uma década desde o reconhecimento como Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema).
A reserva ocupa uma área total de 150 hectares e começou como uma propriedade voltada ao cultivo de cacau, seringueira e cravo-da-índia. Com o passar dos anos, o espaço passou a ter a preservação ambiental como uma de suas principais finalidades e atualmente recebe cerca de 130 visitantes por ano, entre professores, estudantes, pesquisadores e ecoturistas.
Levantamentos preliminares identificaram 230 espécies de plantas nativas na área preservada. Entre elas estão espécies como embiruçu, juerana, paratudo, landirana, oiti, copaíba, sapucaia, jacarandá-da-baía, bacupari e muricis.A diversidade também está presente na fauna. A Reserva Espinita registra 228 espécies de aves, incluindo diferentes espécies de beija-flores. A área é reconhecida como Important Bird and Biodiversity Area (IBA), classificação voltada para locais considerados relevantes à conservação de aves.
Também foram identificadas 24 espécies de mamíferos, entre elas a preguiça-de-coleira e a suçuarana, além de registros relacionados a fungos.
Outro destaque são as 16 nascentes existentes na reserva, responsáveis pelo abastecimento de três rios que seguem até a Baía de Camamu.
Preservação começou a ganhar força nos anos 1990
O projeto de transformar a propriedade em uma área de conservação começou a ser pensado na década de 1990. A manutenção da mata preservada despertou o interesse de Antônio Maia, médico veterinário e gestor da Espinita, pela conservação da Mata Atlântica.
Já no início dos anos 2000, o conhecimento sobre o processo de transformação de uma área particular em unidade de conservação contribuiu para a construção do projeto que resultaria na criação da RPPN.
Em 2016, a Reserva Espinita recebeu o reconhecimento do Inema. Desde então, o espaço passou a receber estudantes e pesquisadores interessados em estudos relacionados ao meio ambiente, incluindo integrantes de universidades públicas e privadas, como a Universidade Federal da Bahia (UFBA) e a Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC).
Pesquisas ajudam a ampliar conhecimento sobre a reserva
Além da preservação, a Espinita se consolidou como espaço de pesquisa e intercâmbio de conhecimentos. Estudos realizados por universidades contribuíram, inclusive, para a identificação de espécies presentes na área.
Segundo Antônio Maia, a pesquisa é fundamental para compreender e manter a floresta.
“Em uma área de Mata Atlântica, o trabalho de preservação realizado pelos pesquisadores é necessário para a manutenção e conservação da floresta. Pensando em ampliar o acesso à informação, lançamos um site oficial como uma nova ferramenta para troca de conhecimento, realização de estudos e, principalmente, para apresentar nossa história.”
O portal também reúne informações sobre o Guardiões de Espinita, programa criado para aproximar pessoas e instituições interessadas em contribuir com pesquisas e iniciativas de conservação da Mata Atlântica.
Programa busca apoio para manutenção da reserva
O Guardiões de Espinita foi criado para ampliar parcerias e captar recursos destinados à manutenção e expansão das ações desenvolvidas na reserva.
Os apoiadores podem contribuir por meio de recursos financeiros, materiais, equipamentos ou serviços. De acordo com a iniciativa, os benefícios podem ser utilizados integralmente como cashback na contratação de produtos da própria Reserva Espinita.
Informações sobre como se tornar um guardião, benefícios, projetos em andamento, transparência e a galeria de apoiadores estão disponíveis no portal oficial da reserva.
Por Alinne Souza /


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