
Celebrado em 8 de setembro, o Dia Mundial da Alfabetização é uma oportunidade para refletir sobre os desafios enfrentados por alunos, professores e famílias durante o processo de aprendizagem da leitura. Também é um momento para compreender como o cérebro desenvolve essa habilidade e quais estratégias podem favorecer a alfabetização.
Para ler uma palavra, o cérebro utiliza dois caminhos principais. A chamada rota fonológica está relacionada à leitura inicial e à decodificação das palavras. Nessa etapa, a criança associa letras e sons e constrói gradualmente a capacidade de ler.
Já a rota lexical permite que palavras conhecidas sejam reconhecidas visualmente de maneira mais rápida e automática, sem a necessidade de soletrar. O desenvolvimento da leitura ocorre de forma mais eficiente quando esses dois caminhos se complementam.
Segundo a autora, dificuldades podem surgir quando se tenta antecipar etapas do processo, priorizando o reconhecimento visual antes da consolidação de habilidades relacionadas à consciência dos sons. Quando a alfabetização depende excessivamente da memorização visual, a criança pode apresentar dificuldades diante de palavras novas.3 de setembro de 2026 | ARTIGOS |
Alguns sinais podem indicar que determinadas habilidades ainda não estão consolidadas. Entre eles estão conseguir identificar letras isoladamente, mas ter dificuldade para juntar os sons e formar palavras, além de apresentar dificuldades para perceber rimas e semelhanças sonoras.
A leitura não é uma habilidade adquirida naturalmente. Ela é construída por meio de aprendizagem e requer adaptações no funcionamento cerebral. Nesse processo, a consciência fonológica exerce papel importante, pois envolve a capacidade de perceber que as palavras são formadas por unidades sonoras menores e de manipular esses sons.
Atividades envolvendo rimas, aliterações e brincadeiras com os sons das palavras podem contribuir para o desenvolvimento dessa habilidade, ajudando na construção da leitura e da escrita.
No Dia Mundial da Alfabetização, compreender as diferentes etapas desse processo é importante para que crianças tenham suas necessidades respeitadas e recebam estratégias adequadas ao seu estágio de aprendizagem.
Mais do que acelerar a alfabetização, é necessário compreender como a criança aprende e oferecer condições para que as habilidades fundamentais sejam desenvolvidas de maneira consistente.
Artigo de opinião
Luciana Brites é CEO do Instituto NeuroSaber, psicopedagoga, psicomotricista, doutoranda em Ciências do Desenvolvimento Humano e mestra em Distúrbios do Desenvolvimento pelo Mackenzie. É palestrante e autora de livros sobre educação e transtornos de aprendizagem.
Texto adaptado por Hélio Alves / Tribuna do Recôncavo
As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade da autora e não representam necessariamente a posição editorial do Tribuna do Recôncavo.
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