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Estudo aponta subdiagnóstico da doença renal crônica entre pacientes de alto risco no Brasil

 

Image by Chokniti Khongchum from Pixabay

Uma pesquisa realizada com colaboração de pesquisadores da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) identificou um cenário preocupante no diagnóstico da doença renal crônica (DRC) no Brasil. O estudo avaliou mais de 14 mil pessoas com diabetes e hipertensão e constatou que exames importantes para detectar precocemente alterações nos rins são pouco solicitados.

Antes de uma campanha nacional de rastreamento, menos de 5% dos participantes que realizaram o exame de creatinina também tinham solicitado o teste de albuminúria, utilizado para identificar a presença de proteínas na urina e um dos principais marcadores de lesão renal. Mesmo após a campanha, o percentual não ultrapassou 7% na população geral analisada.

A doença renal crônica afeta mais de 20 milhões de brasileiros, segundo dados da Sociedade Brasileira de Nefrologia. O Censo Brasileiro de Diálise 2024 aponta ainda que mais de 170 mil pessoas dependem atualmente de terapia renal substitutiva.

Segundo o nefrologista Thyago Proença de Moraes, pesquisador e professor da PUCPR e um dos autores do estudo, exames como a creatinina no sangue e a albuminúria são ferramentas simples que podem ajudar a identificar a doença.

“Existem exames simples que ajudam a identificar a doença renal crônica, como o exame de creatinina no sangue e o teste de proteína na urina (albuminúria). Mesmo assim, eles nem sempre são feitos com regularidade, inclusive por pessoas que estão nos principais grupos de risco”, explicou.

O pesquisador alerta que a baixa frequência desses exames pode fazer com que muitos casos sejam descobertos apenas em fases mais avançadas, dificultando a adoção de medidas para preservar a função dos rins.

Importância do diagnóstico precoce

A doença renal crônica costuma não apresentar sintomas nos estágios iniciais. Por isso, o rastreamento de pessoas com maior risco, especialmente pacientes com diabetes e hipertensão, é considerado importante para identificar alterações antes da progressão da doença.

O diagnóstico precoce pode permitir a adoção de medidas para preservar a função renal, reduzir complicações cardiovasculares e retardar a evolução para estágios que demandem terapia renal substitutiva.

De acordo com o estudo, ampliar o rastreamento também pode contribuir para reduzir internações e a necessidade de tratamentos mais complexos no sistema de saúde.

“Isso demonstra que existe uma resistência ou falta de hábito na prática clínica em solicitar o rastreamento completo, mesmo quando o acesso ao exame é universal no Brasil”, afirmou Thyago Proença de Moraes.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) projeta que a doença renal crônica poderá se tornar a quinta principal causa de morte no mundo até 2040.

Publicada no Brazilian Journal of Nephrology (Jornal Brasileiro de Nefrologia), a pesquisa reuniu especialistas de diferentes áreas, incluindo nefrologia, cardiologia e endocrinologia, ligados a instituições como Unicamp, Escola Bahiana de Medicina, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia e Arbor Research Collaborative for Health.

Leia o estudo completo: Brazilian Journal of Nephrology – SciELO.

Com informações da Assessoria de Imprensa da PUCPR. | |

Hélio Alves | Tribuna do Recôncavo

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