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Anvisa aprova novo uso de medicamento para reduzir risco de retorno do câncer de mama HER2-positivo

 

Enhertu poderá ser utilizado após cirurgia em pacientes com doença residual para aumentar as chances de cura  

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou um novo uso para o medicamento Enhertu (trastuzumabe deruxtecana), ampliando as opções de tratamento para pacientes com câncer de mama HER2-positivo. A decisão permite que o remédio seja utilizado por mulheres que passaram por quimioterapia e cirurgia, mas ainda apresentaram células cancerígenas no tecido retirado durante o procedimento.

Até então, o medicamento era indicado apenas para casos mais avançados da doença.

Segundo a Anvisa, pacientes com câncer de mama HER2-positivo apresentam maior risco de recidiva e evolução para metástase. De acordo com o órgão, até 25% das pacientes podem voltar a desenvolver a doença em até dez anos.A mastologista Rosemar Rahal, presidente da Comissão Nacional Especializada em Mastologia da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), explica que a nova indicação busca aumentar as chances de cura ao eliminar possíveis células tumorais remanescentes após a cirurgia.

Um estudo que embasou a aprovação mostrou uma redução de 53% no risco de recorrência do câncer ou de morte entre as pacientes tratadas com o medicamento.

O Enhertu atua por meio de uma tecnologia que combina um anticorpo com um agente quimioterápico.

Segundo a especialista, o anticorpo identifica as células tumorais que apresentam a proteína HER2 e leva diretamente até elas uma substância capaz de destruir o câncer, preservando, em maior parte, as células saudáveis quando comparado à quimioterapia convencional.

O HER2 é uma proteína presente na superfície de algumas células tumorais. Quando ela está em excesso, o câncer tende a crescer e se multiplicar mais rapidamente.

No Brasil, o câncer de mama é o tipo de câncer que mais acomete mulheres, com mais de 70 mil novos casos por ano. Entre 10% e 19% dos diagnósticos são classificados como HER2-positivo, uma forma historicamente associada a um prognóstico mais desfavorável.

Embora a Anvisa tenha autorizado o novo uso do medicamento no país, a decisão não significa que o tratamento será oferecido imediatamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Para que isso aconteça, será necessária uma avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), seguida de decisão do Ministério da Saúde.

Atualmente, a Conitec já analisa o uso do Enhertu para outros grupos de pacientes com câncer de mama avançado ou metastático. A nova indicação aprovada pela Anvisa, voltada para pacientes com doença residual após cirurgia, ainda não integra essa avaliação e não possui previsão para eventual incorporação ao SUS.

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