Projeção do Boletim Focus indica quarta alta seguida para o IPCA, enquanto estimativa do PIB permanece estável e Selic segue como principal instrumento de controle inflacionário.Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil
A previsão do mercado financeiro para a inflação oficial do país voltou a subir. Segundo o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (6) pelo Banco Central, a estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) passou de 4,31% para 4,36% em 2026, marcando a quarta elevação consecutiva nas projeções. Apesar da alta, o índice ainda permanece dentro da faixa de tolerância da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
A meta de inflação definida pelo CMN é de 3%, com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos, o que estabelece limites entre 1,5% e 4,5%. O aumento recente nas projeções ocorre em um cenário de incertezas internacionais, especialmente diante das tensões relacionadas à guerra no Oriente Médio.
Dados mais recentes apontam que a inflação oficial de fevereiro ficou em 0,7%, impulsionada principalmente pelo aumento nos custos de transportes e educação. O resultado representa aceleração em relação a janeiro, quando o índice havia registrado alta de 0,33%. No acumulado de 12 meses, o IPCA desacelerou para 3,81%, ficando abaixo de 4% pela primeira vez desde maio de 2024.A inflação referente ao mês de março, que já pode refletir impactos do cenário internacional, será divulgada na próxima quinta-feira (9) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Para os anos seguintes, o mercado projeta inflação de 3,85% em 2027, 3,6% em 2028 e 3,5% em 2029, mantendo a expectativa de convergência gradual para a meta.
Para conter a inflação, o Banco Central utiliza a taxa básica de juros, a Selic, atualmente fixada em 14,75% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom). Na última reunião, realizada no mês passado, o colegiado decidiu por unanimidade reduzir a taxa em 0,25 ponto percentual. Antes do agravamento do conflito no Oriente Médio, parte do mercado esperava um corte maior, de 0,5 ponto percentual.
A Selic havia atingido 15% ao ano, o maior patamar desde julho de 2006, quando estava em 15,25%. Entre setembro de 2024 e junho de 2025, a taxa foi elevada sete vezes consecutivas e permaneceu estável nas quatro reuniões seguintes.
Apesar da sinalização de início de um ciclo de redução, o Banco Central admite que o cenário externo pode levar a uma revisão da estratégia, caso o avanço da inflação exija nova postura mais restritiva. A próxima reunião do Copom está marcada para os dias 28 e 29 de abril.
As projeções do Focus indicam que a Selic deve encerrar 2026 em 12,5% ao ano. Para 2027 e 2028, a expectativa é de queda para 10,5% e 10%, respectivamente, chegando a 9,75% em 2029.
Taxas de juros mais elevadas costumam reduzir o consumo e conter a demanda, contribuindo para controlar os preços. Por outro lado, juros menores tendem a estimular o crédito, a produção e o consumo, favorecendo o crescimento econômico.
O Boletim Focus também manteve em 1,85% a previsão de crescimento da economia brasileira em 2026. Para 2027, a expectativa é de expansão de 1,8%, enquanto para 2028 e 2029 o mercado projeta crescimento de 2% ao ano.
Em 2025, o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil registrou alta de 2,3%, conforme dados do IBGE, marcando o quinto ano consecutivo de crescimento, com destaque para o desempenho da agropecuária.
A projeção do mercado financeiro para o câmbio indica que o dólar deve terminar 2026 cotado a R$ 5,40. Para o fim de 2027, a estimativa é de que a moeda norte-americana alcance R$ 5,45.
Por Lala /
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