Lideranças da categoria suspendem paralisação após assembleia e aguardam negociação com o governo federal sobre preço do diesel e frete.
Lideranças de caminhoneiros decidiram, em assembleia na tarde desta quinta-feira (19), no Sindicato dos Caminhoneiros da Baixada Santista (Sindicam), em Santos, não realizar paralisação da categoria. A decisão ocorreu após reunião com representantes de diversas associações, que avaliaram o cenário diante da alta do diesel e dos valores dos fretes.
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, deve se reunir com representantes dos caminhoneiros no próximo dia 25 de março. A informação foi divulgada pelo UOL e confirmada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL).
Apesar da insatisfação, entidades como a Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava) e o Sindicam optaram por não deflagrar greve, mantendo o diálogo com autoridades e o acompanhamento dos preços dos combustíveis.A possibilidade de paralisação vinha sendo discutida e gerou preocupação no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, devido ao histórico recente de mobilizações que impactaram o abastecimento no país em períodos eleitorais.
Segundo lideranças do setor, o aumento do diesel permanece como principal ponto de tensão, ao reduzir a rentabilidade dos caminhoneiros. O presidente da Abrava já havia apontado o combustível como um dos fatores da crise enfrentada pela categoria.
Um prazo de sete dias foi estabelecido para negociação de pontos da Medida Provisória 1.343/2026 com o governo federal. Publicada em edição extra do Diário Oficial da União, a MP prevê punições para empresas que não pagarem o preço mínimo de frete aos motoristas. A fiscalização será realizada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), com previsão de ampliação para 100% dos fretes.
O encontro entre representantes da categoria e o ministro foi confirmado pela CNTTL.
“Até a realização deste encontro, a greve geral segue suspensa, condicionada ao atendimento integral das reivindicações em prol dos transportadores autônomos”, diz Wallace Landim, o Chorão, presidente da Abrava.
A ameaça de paralisação ganhou força após o diesel acumular alta de 18,86% desde o fim de fevereiro. O aumento ocorreu em meio à guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, que impactou o mercado global de petróleo. No período, o barril do tipo brent, referência internacional, subiu de US$ 72,48 para US$ 103,42.
O governo federal também adotou medidas para conter a alta do diesel. Inicialmente, zerou as alíquotas de PIS e Cofins sobre o combustível. Em seguida, integrantes da área econômica passaram a defender a redução do ICMS sobre o diesel importado por parte dos estados.
Por Kaylan Anibal /
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