Indicação do deputado Paulo Câmara sugere conversão facultativa de multas leves em doações de sangue ou medula óssea na Bahia.Hemoba realiza campanha para doação de sangue. Foto: Camila Souza/GOVBA
Uma proposta apresentada na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) pode alterar a forma como motoristas baianos lidam com infrações de trânsito de menor gravidade. O deputado estadual Paulo Câmara (PSDB) protocolou a Indicação nº 28.274/2026, que sugere ao Governo do Estado a substituição do pagamento de multas leves por doações de sangue ou de medula óssea.
A iniciativa tem dois objetivos principais: reduzir o impacto financeiro das infrações leves para os condutores e, ao mesmo tempo, contribuir para o reforço dos estoques de sangue no estado, que frequentemente operam em níveis críticos.
De acordo com a proposta, inspirada em um modelo já aprovado no município de Ponta Grossa, no Paraná, a conversão da penalidade seria facultativa e restrita a multas leves emitidas pelo Detran-BA. O texto também estabelece um limite de até duas conversões por ano para cada motorista.
Para que a substituição seja validada, o condutor precisaria apresentar um certificado oficial emitido por uma unidade de hemoterapia devidamente credenciada, comprovando a doação realizada.
A indicação ganha relevância diante do cenário enfrentado pela Fundação de Hematologia e Hemoterapia da Bahia (Hemoba), que tem alertado para estoques frequentemente abaixo do nível ideal, em alguns casos insuficientes para 24 horas de atendimento. O início do ano costuma ser um período crítico, marcado pela redução no número de doações e pelo aumento da demanda hospitalar, impulsionada por cirurgias e acidentes de trânsito.
Ao defender a proposta, Paulo Câmara destacou o alcance social da medida. “Estamos falando de uma medida de alto impacto social, que pode salvar vidas e ajudar a enfrentar a escassez nos hospitais baianos”, afirmou o parlamentar.
A proposta agora depende de avaliação do Executivo estadual. Caso seja acolhida, caberá ao Governo da Bahia regulamentar os aspectos técnicos e jurídicos necessários para que a conversão das multas em doações passe a valer.
Além do impacto direto na área da saúde, a iniciativa também é vista como um instrumento educativo, ao estimular a responsabilidade social como alternativa à punição exclusivamente financeira.Por Redação - Blog do Valente /

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