Mesmo com cortes promovidos pela Petrobras desde 2022, valor pago pelo consumidor segue em alta; impostos, etanol e margens explicam a diferença.Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Apesar da redução acumulada no preço da gasolina nas refinarias desde o fim de 2022, o valor cobrado nos postos continuou subindo no Brasil. Levantamento citado em reportagem do UOL mostra que, entre dezembro de 2022 e 2025, o preço da gasolina vendida às distribuidoras caiu 16,4%, passando de R$ 3,08 para R$ 2,57. No mesmo período, o preço médio ao consumidor aumentou 37,1%, saindo de R$ 4,98 para R$ 6,33, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP).
A diferença entre a trajetória de queda na origem e a alta no varejo ajuda a explicar por que os sucessivos anúncios de redução feitos pela Petrobras não se converteram em alívio no bolso dos motoristas. Desde o fim de 2022, a estatal realizou 11 reajustes no preço da gasolina nas refinarias — oito cortes e três aumentos —, com redução acumulada de R$ 0,51 por litro. O movimento mais recente ocorreu na semana passada, com um corte de R$ 0,14, equivalente a 5,17%.
Mesmo assim, os números da ANP indicam que o consumidor pagou mais caro para abastecer. No período, o preço médio nos postos subiu mais de R$ 1,30 por litro, elevando o custo para encher o tanque. Em um veículo com capacidade de 50 litros, o gasto médio aumentou cerca de R$ 67,50 em três anos, considerando a média nacional — valor que pode ser ainda maior em algumas regiões.
Especialistas apontam que a Petrobras responde por menos de um terço do preço final. Atualmente, 28,4% do valor corresponde à gasolina vendida nas refinarias. O restante é composto pela mistura obrigatória com etanol (16,4%), impostos federais (10,7%), impostos estaduais (24,8%) e pelas margens de distribuição e revenda (19,6%).
“Desde a tributação até chegar ao posto, existe um caminho completo que envolve logística, custos operacionais e a própria dinâmica regional”, afirma Renato Mascarenhas, diretor da Edenred Mobilidade. Já a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, atribuiu parte da dificuldade de repasse à estrutura do mercado. Em entrevista ao programa Sem Censura, da TV Brasil, ela lembrou que a estatal atuava “do poço ao posto” e afirmou que o modelo foi interrompido após a privatização da BR Distribuidora, em 2019.
Representantes do varejo rebatem a ideia de que os postos sejam os principais responsáveis pelos preços elevados. O presidente do Sincopetro, José Alberto Gouveia, afirma que os estabelecimentos teriam margem para reduzir, no máximo, R$ 0,06 dos R$ 0,14 cortados nas refinarias. Ele também aponta a atuação irregular de parte do mercado como fator de distorção da concorrência. Investigações, como a Operação Carbono Oculto, indicaram o uso de postos para lavagem de dinheiro, o que permitiria preços artificialmente menores por não recolher impostos nem cumprir obrigações trabalhistas.
Por Ana Almeida /
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