Levantamento da Data Privacy Brasil identifica impactos sociais, eleitorais, ambientais e econômicos associados a sistemas de IAFoto: Rawpick/Freepick
Quase 30% dos danos associados ao uso de sistemas de inteligência artificial atingem diretamente o bem-estar psicológico das pessoas. O dado consta em levantamento realizado pela Data Privacy Brasil, com base na recém-lançada Biblioteca de Danos em IA — repositório público que compila e sistematiza casos de impactos negativos relacionados à tecnologia.
De acordo com o estudo, dos 71 episódios públicos documentados, 29,6% envolvem prejuízos psicológicos e sociais. Entre os principais exemplos estão práticas de vigilância excessiva e a exposição a conteúdos nocivos potencializados por algoritmos.
A pesquisa também aponta que 22,5% dos casos registrados dizem respeito à disseminação de imagens e vídeos manipulados por inteligência artificial, os chamados deepfakes. Esse tipo de conteúdo pode distorcer o debate público, afetar reputações e gerar consequências no cenário eleitoral, ampliando a desinformação.
O levantamento destaca que a manipulação sintética de imagens e áudios tem se tornado um dos principais vetores de preocupação regulatória, especialmente em períodos eleitorais, quando o impacto pode comprometer a integridade do processo democrático.
Além dos efeitos psicológicos e informacionais, 23,9% dos danos catalogados são classificados como socioambientais e econômicos. Nessa categoria estão incluídos o alto consumo energético de sistemas de IA, a ampliação da demanda por água e energia em localidades que recebem data centers e a precarização de relações de trabalho associadas à cadeia produtiva da tecnologia.
Também integram esse grupo casos de uso de obras protegidas por direitos autorais sem a devida remuneração aos titulares, tema que tem gerado disputas judiciais e debates sobre a necessidade de atualização das normas de propriedade intelectual.
A Biblioteca de Danos em IA foi criada com o objetivo de consolidar evidências empíricas sobre os riscos associados à inteligência artificial e subsidiar discussões regulatórias no Brasil.
Por Lala /
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