Imagem de MCvec por PixabayPor Anderson Téu – educador físico e personal trainer
Blocos que atravessam o dia inteiro, quilômetros caminhados, dança intensa, calor e poucas horas de descanso transformam o Carnaval, na prática, em uma maratona física. Mesmo assim, muita gente encara a festa sem preparo, apesar do aumento da visibilidade do fitness no dia a dia, a prática regular de atividade física ainda não é um hábito consolidado no país, segundo o Panorama Setorial Fitness Brasil 4ª edição (2025), apenas cerca de 5% da população brasileira frequenta academias ou centros de atividades físicas. Esse contraste ajuda a explicar por que, ao fim da folia, são comuns relatos de dores musculares, fadiga intensa e até lesões que poderiam ser evitadas com preparo prévio.
Segundo Anderson Téu, educador físico e personal trainer da Academia Gaviões, o principal erro é acreditar que o corpo ‘aguenta tudo’ sem preparo. ‘Exige resistência cardiovascular, força muscular e capacidade de recuperação. Mesmo uma preparação simples já reduz o desgaste e o risco de lesões, além de permitir aproveitar mais dias de festa’, explica. A seguir, o profissional listou algumas orientações práticas que ajudam a curtir a folia com mais segurança.
- Invista em um condicionamento prévio (mesmo que leve)
‘Não é preciso virar atleta para aguentar a folia, mas preparar o corpo com antecedência faz muita diferença. O ideal é começar duas a três semanas antes, com estímulos leves de força e mobilidade, duas ou três vezes por semana’, orienta o personal.
De acordo com o educador físico, exercícios simples já cumprem bem esse papel. ‘Agachamentos, elevação de panturrilhas, exercícios para glúteos e fortalecimento do core ajudam a dar mais estabilidade ao corpo. Esse fortalecimento protege estruturas articulares como joelhos e tornozelos, que são muito exigidas quando ficamos horas em pé, caminhando ou dançando’.
- Cardio é seu maior aliado
‘Blocos e festas exigem resistência contínua, não picos rápidos de energia. Por isso, o preparo cardiorrespiratório é fundamental”, explica o profissional. Ele recomenda atividades acessíveis e feitas com regularidade. “Caminhada acelerada, bicicleta, escada ou elíptico, praticados por cerca de 30 a 40 minutos, três ou quatro vezes por semana, já ajudam o organismo a se adaptar ao esforço prolongado. Quem desenvolve esse preparo sente menos fadiga, se recupera mais rápido entre um dia e outro e reduz episódios de tontura e mal-estar’, relata.
- Mobilidade antes e depois da programação
‘A ativação muscular não é detalhe, é prevenção’, reforça Téu. ‘Antes de sair, a mobilidade prepara músculos e articulações para o esforço repetitivo. Depois, ajuda na recuperação e reduz a rigidez e as dores no dia seguinte’. De acordo com ele, algumas regiões merecem atenção especial. ‘Panturrilhas, posterior de coxa, quadril e lombar devem ser prioridade. Ignorar essa etapa aumenta o risco de inflamações e desconfortos persistentes’, orienta.
- Pense no calçado como item de resistência, não só de conforto
‘O calçado não deve ser escolhido apenas pela estética ou pelo conforto imediato”, alerta o educador físico. Ele precisa oferecer estabilidade, leve amortecimento e segurança para longos períodos de uso”, afirma. Segundo Téu, o impacto acumulado no decorrer do dia sobrecarrega joelhos, tornozelos e coluna, especialmente em pisos rígidos como o asfalto. “Um calçado inadequado pode transformar diversão em desgaste físico’, alerta.
Por fim, o profissional recomenda o uso de tênis fechado em blocos e festas de rua, por oferecer mais proteção contra pisões, impactos e torções, enquanto calçados abertos, como chinelos, aumentam o risco de machucados em ambientes lotados.19 de janeiro de 2026 | ARTIGO |
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