Valor será creditado em até 235 milhões de contas até o dia 31 de agosto, com rentabilidade do fundo superando a inflação oficialCerca de 134 milhões de trabalhadores terão direito ao repasse de R$ 12,929 bilhões referente à distribuição de lucros do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) em 2024. O valor corresponde a 95% do lucro total de R$ 13,61 bilhões registrados pelo fundo em 2023. A decisão foi aprovada nesta quinta-feira (24) pelo Conselho Curador do FGTS, em reunião realizada em Brasília.Imagem: reprodução A Caixa Econômica Federal, responsável pela gestão do FGTS, tem até 31 de agosto para realizar os depósitos. Os valores serão repartidos entre 235 milhões de contas vinculadas, de acordo com o saldo existente em cada uma delas até 31 de dezembro de 2023.
Com a distribuição dos lucros, a rentabilidade do FGTS em 2024 será de 6,05%, superando a inflação oficial de 4,83% registrada no ano passado. Pela regra atual, o fundo rende 3% ao ano mais a Taxa Referencial (TR), e a divisão dos lucros amplia esse rendimento, fortalecendo o poder de compra dos saldos dos trabalhadores.
Queda no lucro e impactos externos
Apesar da rentabilidade, o lucro total do fundo em 2023 foi quase R$ 10 bilhões menor que o registrado no ano anterior, quando o FGTS teve um resultado recorde de R$ 23,4 bilhões. A queda é explicada, em parte, por fatores extraordinários que não se repetiram, como os R$ 6,6 bilhões oriundos da reestruturação do fundo do Porto Maravilha, no Rio de Janeiro.
Outro fator que impactou negativamente o desempenho financeiro foi o aumento dos saques emergenciais, motivado pelas enchentes no Rio Grande do Sul, que elevaram as retiradas para R$ 163,3 bilhões — uma alta de 15% em relação ao ano anterior.
Mesmo assim, a arrecadação do FGTS bateu recorde, chegando a R$ 192 bilhões em 2024, um crescimento de 9%. A alta é atribuída à queda no desemprego e ao aumento da formalização no mercado de trabalho.
Mudança na correção
Neste ano, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que os saldos do FGTS devem ter, no mínimo, correção pela inflação oficial medida pelo IPCA. No entanto, a nova regra só vale daqui para frente e não será aplicada retroativamente aos saldos antigos. Segundo a decisão, o Conselho Curador do FGTS poderá intervir sempre que o rendimento for inferior à inflação.
Como será o repasse?
O repasse dos R$ 12,9 bilhões será feito proporcionalmente ao saldo de cada trabalhador em 31 de dezembro de 2023. É possível que uma mesma pessoa receba o crédito em mais de uma conta, caso tenha vínculos empregatícios diferentes.
O valor depositado será incorporado ao saldo da conta do trabalhador, o que poderá beneficiar quem deseja usar o FGTS para financiamento de moradia, aposentadoria, ou saque em situações previstas por lei.Por Ana Almeida /
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